Segurança

Ele encontrou uma caminhonete de R$ 300 mil anunciada por R$ 27.500. Pagou R$ 13 mil e descobriu o golpe quando pediram mais dinheiro

O aposentado de 75 anos acreditou estar comprando um veículo retomado por um banco. Recebeu documentos, conversou com supostos representantes de uma empresa de leilões e fez três transferências por Pix antes de desconfiar da negociação.

Uma caminhonete avaliada em aproximadamente R$ 300 mil, anunciada por apenas R$ 27.500. Foi essa oferta que chamou a atenção de um aposentado de 75 anos enquanto ele navegava pelo Facebook Marketplace, espaço da rede social em que pessoas e empresas anunciam produtos à venda.

A diferença entre os dois valores era enorme. Mas havia uma explicação para aquilo.

Pelo menos era o que dizia a pessoa com quem ele começou a conversar.

A caminhonete, segundo o suposto vendedor, havia sido retomada por uma instituição financeira porque o antigo proprietário deixara de pagar a dívida. Agora estaria sendo negociada por uma empresa de leilões.

O aposentado acreditou que havia encontrado uma oportunidade de comprar um veículo por uma pequena parte de seu valor de mercado.

A negociação, porém, terminaria na polícia.

Uma empresa de leilões, vários contatos e documentos

A conversa não ficou restrita à primeira pessoa que respondeu ao interesse do comprador.

Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência e divulgadas pela imprensa de São José do Rio Preto, no interior paulista, o aposentado passou a se comunicar também por outros dois números de telefone. Em determinado momento, foi informado de que uma suposta gerente assumiria a negociação.

A história do veículo retomado pelo banco continuava sendo a justificativa para o preço tão baixo.

As pessoas com quem ele conversava também enviaram documentos e deram orientações relacionadas ao reconhecimento de firma em cartório.

Para quem acreditava estar negociando com uma empresa de leilões, tudo isso ajudava a dar aparência de formalidade ao negócio.

Não há confirmação, nas informações divulgadas até agora, de que o aposentado tenha efetivamente comparecido a um cartório. Também não foi esclarecida a autenticidade dos documentos apresentados.

Mas, naquele momento, ele estava convencido de que a compra era verdadeira.

Primeiro R$ 1.750. Depois R$ 5.750. E mais R$ 5.500.

O dinheiro começou a sair da conta do aposentado em três transferências por Pix.

A primeira foi de R$ 1.750.

A segunda, de R$ 5.750.

A terceira, de R$ 5.500.

Ao todo, ele havia enviado R$ 13 mil para uma conta indicada pelos supostos representantes da empresa.

A caminhonete, entretanto, ainda não estava em suas mãos.

E a negociação não havia terminado.

Mas, depois dos três pagamentos, veio uma nova exigência: ele precisaria depositar mais aproximadamente R$ 7 mil para cobrir supostas taxas adicionais e concluir o negócio.

Foi nesse momento que o aposentado desconfiou.

Ele já havia transferido R$ 13 mil, acreditando estar comprando uma caminhonete anunciada por R$ 27.500. Agora surgia uma nova cobrança.

Desta vez, ele não pagou.

A caminhonete não veio. O caso foi parar na polícia.

No sábado, 10 de outubro de 2026, o aposentado procurou a Polícia Civil em São José do Rio Preto e registrou a ocorrência.

O caso foi registrado como estelionato contra pessoa maior de 70 anos. A vítima manifestou interesse na responsabilização dos envolvidos.

Até 11 de outubro, as informações divulgadas não esclareciam quem eram as pessoas por trás dos contatos telefônicos, se a caminhonete anunciada realmente existia ou se algum valor havia sido recuperado.

A investigação deverá buscar essas respostas.

O aposentado começou a negociação acreditando que poderia comprar uma caminhonete por menos de um décimo de seu valor estimado. Recebeu uma explicação para o preço, conversou com pessoas que se apresentavam como representantes de uma empresa e recebeu documentos relacionados à compra.

Só interrompeu os pagamentos quando lhe pediram mais dinheiro.

Naquele momento, a caminhonete que parecia uma oportunidade de R$ 27.500 já havia custado R$ 13 mil. E o aposentado ainda precisava descobrir quem, afinal, estava do outro lado da negociação.

Fontes consultadas

MENEGILDO, Bia. Idoso perde R$ 13 mil em golpe de falsa venda de veículo. Gazeta de Rio Preto, 2026.

GAZETA DO INTERIOR. Idoso perde R$ 13 mil ao cair em golpe de falsa venda de caminhonete em Rio Preto. Gazeta do Interior, 2026.

VOTUNEWS. Aposentado perde R$ 13 mil ao cair em golpe de falsa venda de caminhonete anunciada na internet. Votunews, 2026.


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Caroline Borja, phD, divulgadora científica

Caroline Borja é escritora, divulgadora científica e pesquisadora. Farmacêutica, mestre e doutora em Farmacologia pela UNICAMP e especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor/UNICAMP, dedicou 25 anos à carreira acadêmica, sendo 13 anos na UNICAMP e 12 anos como docente da Universidade de São Paulo (USP) — onde ingressou por concurso —, em regime de dedicação integral à docência e à pesquisa. Na USP, lecionou temas relacionados ao envelhecimento humano e à saúde.

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