Carreira

Ele comprava orquídeas para presentear a mãe. Aposentou-se aos 57 anos e hoje tem 20 mil plantas — e até aluga flores

O que começou como uma coleção de família virou um negócio em Brasília. Aos 70 anos, João Batista Borba vende orquídeas, participa de feiras e encontrou até uma maneira de agradar quem gosta de flores, mas não sabe cuidar delas.

Tudo começou com os presentes para a mãe.

Ela gostava de orquídeas, e João Batista Fonseca Borba costumava comprar novos exemplares para ela. Só que, nessas ocasiões, aproveitava para levar algumas plantas para a própria casa.

A mãe chegou a ter uma coleção de cerca de 50 orquídeas. João conseguiu reunir ainda mais.

Naquele tempo, não havia nenhum plano de abrir uma empresa. Ele simplesmente gostava das flores.

Anos depois, aquela coleção se transformaria em um orquidário com aproximadamente 20 mil plantas, instalado em uma área de dois mil metros quadrados no Distrito Federal.

E tudo ganhou força justamente quando João estava prestes a se aposentar.

A aposentadoria chegou. Mas ficar parado não estava nos planos.

João começou a trabalhar aos 12 anos. Depois de passar mais de três décadas no Banco de Brasília (BRB), aposentou-se em 2013, aos 57.

Mas não estava muito interessado em trocar uma rotina de trabalho por dias inteiros sem ter o que fazer.

Como contou à Agência Sebrae de Notícias, em dezembro de 2025, a ideia era não ficar à toa.

Pouco antes de deixar o banco, participou de um curso de preparação para a aposentadoria oferecido pelo próprio BRB. Foi ali que conheceu melhor o Sebrae e percebeu que poderia transformar seu interesse pelas orquídeas em uma atividade comercial.

A ideia fazia sentido também por outro motivo: o cultivo de plantas já fazia parte de sua vida desde a infância.

João chegou a Brasília em 1960, aos quatro anos, com os pais, vindos de Goiás. Naquela época, a família cultivava hortaliças para consumo próprio. Ele cresceu familiarizado com o trabalho de plantar e cuidar da terra.

O antigo hábito de comprar orquídeas para a mãe acabou se encontrando com a vontade de continuar trabalhando.

Nascia o Orquidário Batista.

Tem orquídea para comprar. Mas também tem para alugar!

Hoje, aos 70 anos, João administra um espaço que reúne cerca de 20 mil plantas. O negócio vende orquídeas sob encomenda e participa de feiras e exposições.

Em 2025, o orquidário registrou faturamento de aproximadamente R$ 50 mil. Para 2026, a expectativa divulgada pelo empreendedor é chegar aos R$ 70 mil.

Mas uma das ideias mais curiosas do negócio não envolve vender uma planta definitivamente.

João também aluga orquídeas.

Funciona assim: a pessoa escolhe uma planta florida, leva para casa e aproveita a beleza das flores. Quando a floração termina, pode trocar aquele vaso por outro que esteja florido.

A planta anterior retorna ao orquidário, onde continua recebendo os cuidados necessários.

É uma alternativa especialmente interessante para quem adora ter orquídeas em casa, mas não tem muita habilidade — ou paciência — para esperar uma nova floração.

Em vez de desistir da planta quando as flores caem, o cliente pode simplesmente devolvê-la e levar outra.

E as orquídeas acabaram reunindo outros aposentados

João não foi o único a encontrar uma atividade prazerosa naquele espaço.

Em reportagem publicada em dezembro de 2025, a Agência Sebrae de Notícias contou que outras três pessoas aposentadas também ajudavam nas atividades do orquidário.

Segundo João, elas reservavam dois dias da semana para cuidar das plantas. Algumas buscavam complementar a renda; outras gostavam do trabalho e da convivência.

O negócio também contou com a participação da família ao longo dos anos. Em 2021, uma reportagem do Correio Braziliense registrou que o filho e a nora de João trabalhavam no orquidário.

E a dedicação às flores acabou rendendo até uma brincadeira dentro de casa: segundo ele, a esposa costuma dizer que as orquídeas são suas amantes.

Não é difícil entender o motivo.

A rotina do empreendedor começa cedo, com a irrigação, a adubação e os cuidados com as plantas. Ele também encontra tempo para ir à academia e depois retorna ao orquidário, onde acompanha as atividades e cuida da administração.

O trabalho continua presente no cotidiano de João, mas agora está ligado a algo que ele começou a cultivar por prazer, muito antes de pensar em ganhar dinheiro com isso.

O negócio ajuda a complementar a renda e, segundo ele, ainda permite reservar algum dinheiro para viagens.

Mas, quando fala sobre o significado de tudo isso, João parece dar mais importância a outra conquista.

Ao resumir o que representa essa nova etapa da vida, ele escolheu apenas três palavras:

“Eu estou vivo.”

Fontes consultadas

CORREIO BRAZILIENSE. Orquídeas, um bom negócio na terceira idade. Capital S/A, 19 de fevereiro de 2021.
https://blogs.correiobraziliense.com.br/capital-sa/2021/02/19/orquideas-um-bom-negocio-na-terceira-idade/

AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Aposentado transforma hobby em fonte de renda e se reinventa aos 57 anos. 5 de dezembro de 2025.
https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/aposentado-transforma-hobby-em-fonte-de-renda-e-se-reinventa-aos-57-anos/

PEQUENAS EMPRESAS & GRANDES NEGÓCIOS (PEGN). Aposentadoria inspirou criação de orquidário que deve faturar R$ 70 mil neste ano. 3 de agosto de 2026.
https://g1.globo.com/empreendedorismo/pegn/noticia/2026/08/03/aposentadoria-inspirou-criacao-de-orquidario-que-deve-faturar-r-70-mil-neste-ano.ghtml


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Caroline Borja, phD, divulgadora científica

Caroline Borja é escritora, divulgadora científica e pesquisadora. Farmacêutica, mestre e doutora em Farmacologia pela UNICAMP e especialista em Jornalismo Científico pelo Labjor/UNICAMP, dedicou 25 anos à carreira acadêmica, sendo 13 anos na UNICAMP e 12 anos como docente da Universidade de São Paulo (USP) — onde ingressou por concurso —, em regime de dedicação integral à docência e à pesquisa. Na USP, lecionou temas relacionados ao envelhecimento humano e à saúde.

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